ORTODONTIA E ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

 

MIGUEL NEIL BENVENGA

 

         A articulação temporomandibular (ATM) é um órgão controlador da mastigação, da deglutição e da fonação. Do ponto de vista filogenético, evoluiu em todos os mamíferos e está associada, também, à sucção e à amamentação nos recém-nascidos.

        Os seres humanos possuem duas ATMs que, no movimento de abertura da boca, mostram os côndilos mandibulares girando sobre os discos articulares (meniscos) numa primeira fase e, em seguida, deslizando para as eminências articulares dos ossos temporais. É preciso destacar que a ATM humana apresenta rotação e translação dos côndilos, o que não ocorre nos animais inferiores (NEFF3).

        Na abertura máxima da boca, os côndilos vão até a parte anterior das eminências articulares para evitar que as partes posteriores da mandíbula pressionem as estruturas vizinhas às vértebras cervicais.

 

FUNÇÕES DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

 

        A ATM tem cinco funções, a saber:

        1ª função: Proteger as vias aéreas por sua localização no cruzamento com a nasofaringe.

        2ª função: Proteger, através dos ligamentos mandibulares, os movimentos extremos da articulação, que também é um centro de propriocepção (= recebe informações e estímulos originados no interior do próprio órgão). Quando a ATM está deslocada, o paciente sente dores e o mecanismo proprioceptivo ajuda a aliviar a carga excessiva que atua sobre ela e, ainda, faz parte do sistema de servocontrole, um fator de feedback (realimentação) para a musculatura envolvida e para o engrenamento dos dentes.

        3ª função: Controlar a conexão das forças que atuam sobre a mandíbula, considerada uma alavanca de 3ª ordem.

        O músculo pterigóideo externo, que se insere no côndilo, age na abertura e protrusão mandibular e protege as forças que atuam sobre a mandíbula. O músculo temporal ajuda a aliviar a ação das forças sobre a ATM e completa o sistema binário em torno da articulação. Quando esse mecanismo funciona mal, a função se altera. Quando mordemos um alimento com os dentes anteriores, os posteriores não se tocam. Por isso é que os chamados guias incisal e caninos formam os sistemas de proteção oclusal e da ATM (RICKETTS7).

        4ª função: Conservar a energia. A ATM localiza a energia muscular sobre os dentes que precisam cortar e moer os alimentos. Só os animais herbívoros desafiam essa regra, pois suas mandíbulas se movimentam de forma rotacional.

        5ª função: Crescimento. Os côndilos são as principais zonas de crescimento da mandíbula. O crescimento e o desenvolvimento da ATM é a chave do que acontece com o mento de nossos pacientes, daí sua imensa importância na Ortodontia (RICKETTS10).

        Resumindo: Funções da ATM.

        1ª – Mecanismo de proteção das vias aéreas durante a abertura da boca.

        2ª – Aliviar a carga sobre os dentes e músculos através do mecanismo de propriocepção no auxílio da postura mandibular.

        3ª – Base do mecanismo de nivelamento e alinhamento da mandíbula por meio de seu sistema binário de aplicação de forças.

        4ª – Proteção da oclusão e da desoclusão dos dentes, uma vez que a ATM é um articulador natural.

        5ª – A ATM mantém o posicionamento da mandíbula em relação à morfologia facial.

 

 

        FIG. 1 – Traçado de uma radiografia lateral tomográfica de 20º mostrando os valores médios e os desvios-padrão dos espaços normais que devem existir entre o côndilo e a fossa articular. (RICKETTS15).

 

        Quando algo anda errado com a ATM, todas as funções desaparecem e o crescimento facial pode ser alterado, bem como a postura normal da cabeça. Os ossos são um sistema calcificado, cuja função é suportar as cargas. As articulações do corpo humano quebram esses sistemas de cargas, e nenhuma delas se parece à ATM.

 

SINGULARIDADE DA ATM

 

1.        Articulação secundária.

2.        Localização protegida.

3.        Proximidade com o ouvido e o cérebro.

4.        Articulação dupla verdadeira.

5.        Ação muscular paralela à superfície articular.

6.        Dirige a função do lado oposto.

7.        Propriedade dentária de desarticulação.

8.        Sensibilidade proprioceptiva.

9.        Superfície condrogênica nos côndilos.

10.     Local de crescimento da mandíbula.

11.     Cartilagem de articulação e crescimento.

12.     Suprimento sangüíneo da musculatura.

      A ATM é avascular e aneural, e a sua lubrificação é feita pelo líquido sinovial a fim de que não trave nem esquente. A cartilagem é uma estrutura que absorve pressões e funciona como um verdadeiro amortecedor.

 

IATROGENIA NOS PROBLEMAS DA ATM

 

      O especialista precisa estar alerta de que o tratamento ortodôntico pode causar dano à ATM em pacientes predispostos a isso. Nos anos 1980 houve os Estados Unidos da América questões legais levadas aos tribunais, envolvendo disputas entre ortodontistas e pacientes, por problemas na ATM após o término dos tratamentos.

      O resultado foi o surgimento de sentenças condenando os especialistas implicados ao pagamento de elevadas indenizações. Em contrapartida, gerou uma situação chamada de Dental Watergate, na qual entidades de classe e profissionais procuraram eximir os ortodontistas da responsabilidade em provocar danos à ATM com seus tratamentos (RICKETTS14-16). 

      É verdade meridiana que os dentes têm uma relação direta com o aparecimento das degenerações da ATM, que estão na razão direta da:

1.        Tolerância dos tecidos.

2.        Tamanho das ATMs.

3.        Fatores que provocam as sobrecargas nas ATMs.

      A idade média dos pacientes que apresentam problemas na ATM, segundo RICKETTS9, é de 36,6 anos. Como medida primeira de intervenção, STEINDLER20  preconiza o tratamento muscular (espasmo, constrição), seguido dos ligamentos e do disco articular.

      O esquema geral de tratamento de um paciente com problemas na ATM deve ser iniciado com a colocação de uma placa de mordida em sua arcada inferior - o biotemplate - que é um posicionador da mandíbula, com a função de desbloquear a articulação e aliviar o processo doloroso. Não devemos esquecer que a questão fundamental da ATM é muscular, que se reflete na dor que o paciente está sentindo.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS DA ATM PARA TRATAMENTO

 

      Em freqüência, os problemas da ATM assim se classificam:

      1º - Deslocamento distal do côndilo.

      Esta posição corresponde à antítese do equilíbrio e é a que se vê mais freqüentemente nas radiografias laminográficas.

      2º - O estalido é o ruído produzido pelo côndilo pressionando o disco ou menisco articular, quando ele passa da posição de maior pressão para a posição normal próxima da eminência articular. Há dois tipos de estalido: o de abertura e o de fechamento da boca.

      Os problemas da oclusão dentária com suas interferências (prematuridades) podem sobrecarregar a ATM e necessitam de tratamento em três etapas, a saber:

a.      Colocação de uma placa inferior de mordida (biotemplate) com a finalidade de remover as interferências oclusais.

b.      Reprogramação da musculatura para dar ao paciente uma nova oclusão.

c.      Estabelecimento de um padrão de oclusão normal.

Para que isso seja alcançado, removemos a memória oclusal do paciente, fazendo com que sua mandíbula retorne aos padrões normais (MONGINI2).

Portanto, o problema número um da ATM é o deslocamento distal do côndilo na cavidade articular, com prssionamento da zona bilaminar e, o número dois, é a recaptura do disco articular para trazer de volta o côndilo a ele.

 

COMPRESSÃO DO CÔNDILO

 

      A causa da compressão do côndilo é o hábito chamado clenching  (mordedura), ou seja, o desenvolvimento por parte do paciente do vício de ficar mordendo os dentes repetidamente, o que é pior do que o bruxismo - um hábito interminente - uma vez que este último nunca está relacionado a problemas da ATM. (SANTOS17, SOLBERG18-19).

      Há sete pontos de compressão dos côndilos que provocam deslocamentos de desarranjos nas articulações temporomandibulares:

1.        Hábito de mordedura dos dentes.

2.        Perda dos dentes posteriores.

3.        Reflexos gerados pela maloclusão do paciente.

4.        Trauma em uma oclusão funcional.

5.        Iatrogenicidade.

6.        Abrasão natural dos dentes ou remoção na ausência de fatores biológicos de homeostase.

7.        Distúrbio da cadeia cinética.

 

TENSÃO E SOBRECARGA NA ATM

 

      Há quatro condições dentárias que predispõem os pacientes a problemas na ATM:

A.     Posição dentária que coloca os côndilos para a frente na cavidade articular, provocando tensão (stress) nos ligamentos que, com o passar do tempo, se deformam, afrouxando a ATM. Como conseqüência, o disco articular se deforma, sendo preciso recapturá-lo. Se as condições de normalidade não forem alcançadas com nosso tratamento, o côndilo poderá apresentar uma remodelação (recontorno) na região posterior. Os pacientes portadores de uma ligeira relação dentária de classe III de Angle apresentam deslocamento distal dos côndilos para permitir a função mastigatória. Já nas classes III severas, os pacientes não apresentam contato dentário nos incisivos e nunca apresentam problemas na ATM.

      Através da função dos dentes, aparece uma alteração na atividade muscular envolvida na mastigação dos alimentos. Os músculos mantêm a integridade das ATMs e estão em equilíbrio com elas, situação a que RICKETTS15  denomina de homeostase mecânica.

B.     Compressão de sobrecarga no tecido conjuntivo que recobra a ATM e que leva à degeneração articular clássica, chamada artrite reumatóide, segundo GELB1 , que passa pelos seguintes estágios:

      1- Mudanças escleróticas na ATM, que se adapta a elas.

      2- Espessamento do osso abaixo da camada cortical, que é o início da esclerose subcondral na cabeça do côndilo.

      Os ligamentos da ATM não são capazes de sustentar uma força permanente sem se deformarem. A função dos ligamentos é a de limitar os movimentos bordejantes (máximos) da mandíbula, protegendo a integridade da ATM.

      O que mantém as articulações são os músculos, e os côndilos devem estar comprimidos contra as eminências articulares dos temporais para que os dentes desocluam. Essa posição é chamada por RICKETTS13-16  de posição A.

      Se houver uma deformação é preciso encontrar uma posição confortável para as ATMs. Com os dentes ocluindo, os côndilos se estabilizam nas cavidades articulares, sob estímulo nervoso, numa posição mais posterior do que a normal.

      O descolamento distal do disco articular se inicia com um côndilo distalizado e esse deslocamento é o tema mais contraverso na questão da ATM.

C.     Anquilose do côndilo: Os primeiros sinais de anquilose do côndilo numa radiografia laminográfica é o espessamento do espaço articular com uma esclerose subcondral. A chamada condrólise corresponde a uma destruição interna da ATM e a degeneração cística é difícil de ser detectada no seu início através de uma radiografia. Nessas afecções pode haver contato direto entre vasos sangüíneos e nervos, o que provoca uma dor intensa. Não deve ser esquecido o fato de que a artrite reumatóide também pode atingir as ATMs.

D.     Posicionamento anterior da mandíbula: Alguns pacientes toleram sem problemas uma posição mais anteriorizada dos côndilos. Esses pacientes são portadores de maloclusões da classe II e procuram projetar a mandíbula com o intuito de mascará-las e, assim, melhorar a aparência de uma pessoa com problemas oclusais. E, a propósito, a incidência maior de problemas das ATMs recai sobre os portadores de classe II, divisão 1ª de Angle5 -8.

      RESUMINDO: As quatro disfunções da ATM são:

1.    Deslocamento distal dos côndilos – os côndilos estão afastados dos discos articulares.

2.    Perda do apoio posterior – o apoio posterior da oclusão pode faltar pela extração dos dentes posteriores ou por hábitos que provoquem a intrusão desses dentes, o que levará à compressão da ATMs.

3.    Interferências nas excursões laterais dos côndilos – Essas excursões passam pelos dentes posteriores.

4.    As disfunções 1 e 3 ocorrendo simultânea e combinadamente, como descreveu RICKETTS6 em 1953. (figura 2)

RESUMINDO: Os dentes podem alterar a posição da mandíbula que, por sua vez, provocará problemas nas ATMs e nos músculos envolvidos na mastigação.

 

 

FIG. 2 –RICKETTS15, descreveu uma luxação do côndilo como sendo o início do deslocamento do disco (A). O côndilo escapa do disco ao invés do disco escapar do côndilo. Durante a abertura o disco é guiado a frente do côndilo (B), até que o côndilo alcança a borda posterior, momento em que ocorre o clic e o deslocamento é reduzido (C).

 

TRATAMENTO DOS PROBLEMAS DAS ATMs

 

      1- PALIATIVO – É o tratamento improvisado, sintomático e sem correção total da causa, que procura somente bloquear os sintomas e ajudar psicologicamente o paciente. O exemplo é a administração de drogas analgésicas, anti-inflamatórias e miorrelaxantes.

      2- CURATIVO – É o tratamento que procura corrigir o problema do paciente, isto é, corrigir as “informações” ligadas à musculatura envolvida no processo pelo uso do biotemplate (placa de mordida inferior). O objetivo do biotemplate é destravar e eliminar o problema oclusal que está causando a síndrome, reposicionando a mandíbula de maneira mais favorável e sem dor para o paciente, através da reintrodução de novos guias incisal e caninos e de novas posições para a  intercuspidação dos dentes posteriores (RICKETTS14  e WILLIANSON21) .

      3- TERAPÊUTICO – É o estágio de tratamento que procura dar as condições que possam ser mantidas pelo paciente depois do 2º estágio (biotemplate) e se constitui no tratamento ortodôntico, nivelando e alinhando todos os dentes e criando uma oclusão que mantenha a musculatura em equilíbrio normal. Sessenta e cinco por cento dos casos tratados por Ricketts seguem esta seqüência de tratamento.

      De um modo geral, os pacientes usam placas de mordida por três meses, antes do início do tratamento ortodôntico. Em outros casos, após três meses de uso da placa, é iniciado o tratamento ortodôntico, ainda com a placa na boca, que somente será descartada depois do destravamento da maloclusão, da abertura da mordida e do desaparecimento das sensações dolorosas.

      É muito raro que um problema de ATM necessite de cirurgia, o que é indicado em casos de fibrose do disco articular, principalmente quando está colado ao côndilo. Neste caso, o ruído (clic) é muito intenso. A chamada crepitação é um ruído com um som que lembra o ato de lixar uma superfície qualquer.

      RICKETTS13-15-16, com a experiência no tratamento de mais de 6000 pacientes com problemas na ATMs, nos informa que o pior desastre nessa área são os casos que foram submetidos à cirurgia capsular, devido à degeneração motivada pela distrofia da articulação com o trauma cirúrgico, o que impede a alimentação da cápsula articular.

      O ortodontista é o especialista da ATM por excelência e, usando as palavras de RICKETTS16, “deve assumir a posição do verdadeiro Ortopedista Craniofacial”.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1.        GELB, H.: Clinical Management of Head, Neck and TMJ Pain and Dysfunction, W. B. Saunders Company, Philadelphia , 1985.

2.        MONGINI, F., and SCHMID, W.: Craniomandibular and TMJ Orthopedics, Quintessence Publishing Co., Inc., 1989, Chicago.

3.        NEFF, P. A.: Oclusão e Função, Georgetown University School of Dentistry, Washington , D. C., 1975.

4.        RICKETTS, R. M.: Variations of the Temporomandibular Joint as Revealed by Cephalometric Laminagraphy, Am. J. Orthod. 36: 12, Dec. 

           1950, 877-878.

5.        RICKETTS, R. M.: Study of Changes in Temporomandibular Relations Associated With the Treatment of Class II Malocclusion. Am. J. 

           Orthod. 38: 918-933, 1952.

6.        RICKETTS, R. M.: Laminagraphy in the Diagnosis of Temporomandibular Joint Disorders, J. Am. Dent. Assoc. 46: 620-648, June, 1953.

7.        RICKETTS, R. M.: Facial and Denture Changes During Orthodontic Treatment as Analyzed From the Temporomandibular Joint, Am. J. 

           Ortho. 41: 163, 1955. Ortho. 41: 6, June, 1955, 435-441.

8.        RICKETTS, R. M.: Abnormal Function of the Temporomandibular Joint, Am. J. Ortho, 41: 6, June, 1955, 435-441.

9.        RICKETTS, R. M.: The Role of Cephalometrics in Prosthetic Diagnosis, J. Prosth. Dent. 6: 4, July, 1956, 488-503.

10.     RICKETTS, R. M.: Planning Treatment on the Basis of Facial Pattern and an Estimate of Its Growth, Angle Ortho. 27: 1, Jan. 1957, 14-37.

11.     RICKETTS, R. M.: Roentgenography of the Temporomandibular Joint, in Sarnat, B. (ed.), The Temporomandibular Joint, Second Edition, 

           Charles C. Thomas, Springfield , IL , 1964, 102-132.

12.     RICKETTS, R. M.: Present Status os Laminography as Related to Dentisty, J. Am. Dent. Assoc. 65, July, 1962, 56-64.

13.     RICKETTS, R. M.: Clinical Implications of the Temporomandibular Joint, Am. J. Ortho. 52: 6, June, 1966, 416-439.

14.     RICKETTS, R. M.: Occlusion – the Medium os Dentistry, J. Prosth, Dent. 21: 1, Jan. 1969, 39-60.

15.     RICKETTS, R. M.: Provocations And Perceptions In Cranio-Facial Orthopedics, Vol. 1, Book 1, Parts 1 and 2, RMO, First Edition , USA

           1989.

16.     RICKETTS, R. M.: Anotações do curso sobre “Distúrbios da Articulação Temporomandibular”, ditado em São Paulo – SP., outubro de 

           1989.

17.     SANTOS JR., J.: Oclusão – Tratamento da Sintomatologia Craniomandibular, Pancast Editorial, São Paulo – SP, 1987.

18.     SOLBERG, W. K., AND CLARK, G. T.: Temporomandibular Joint Problems, Quintessence Publishing Co., Inc., 1980 – Chicago.

19.     SOLBERG, W. K., AND CLARK, G. T.: Abnormal Jaw Mechanics, Quintessence Publishing Co., Inc., 1984, Chicago.

20.     STEINDLER, A.: Kinesiology, C. C. Thomas, Springfield , II, 1955.

21.     WILLIAMSON, E. H.: Orthodontic implications in diagnosis, prevention, and treatment of TMJ dysfunction, IN Graber & Swain 

           Orthodontics Current Principles and. Techniques, The C. V. Mosby Company, St. Louis – Toronto – Princeton, 1985.


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