TRATAMENTO   PREVENTIVO E INTERCEPTADOR DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE

 

    O tratamento preventivo e interceptador das classes III sempre foram um tema muito controvertido na especialidade. Mas, à luz dos conhecimentos da previsão arqueal de crescimento facial, das características e dos fatores de alarme das classes III cirúrgicas, RICKETTS1 propõe o tratamento precoce para todos os pacientes, mesmo aqueles cuja previsão arqueal aponte para o crescimento anormal.

    A base anterior do crânio curta e a deflexão craniana aumentada, permitem-nos pensar em um tratamento que procure projetar a maxila para a frente, a fim de que se possa corrigir, de modo rápido, o overbite e o overjet invertidos.

    Em crianças em torno dos 7 - 8 anos de idade, o tratamento consiste em aplicar um quad helix para o descruzamento da mordida e expansão da maxila, seguido de uso de uma máscara facial do tipo DELAIRE2, para aproveitar a disjunção conseguida nesses pacientes onde as suturas estão abertas e permitem uma grande movimentação mesial das estruturas ósseas (figura).

    Mesmo que este tipo de terapia leve à uma biprotrusão óssea maxilomandibular, esteticamente, teremos um perfil aceitável para esta tipologia de classe III com crescimento anormal e, dessa forma, evitaremos, em grande número de casos, a intervenção cirúrgica.

   Deve-se considerar que, diante de um fracasso no tratamento preventivo/interceptador, o especialista não poderá ser inculpado porque, além da tentativa válida de circunscrever uma anomalia tão grave, o paciente estará em melhores condições oclusais em relação à sua situação inicial e quase pronto para a fase cirúrgica.

 

TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE NA TERAPIA BIOPROGRESSIVA

 

   As maloclusões da classe III de Angle são, estatisticamente, as de menor incidência – cerca de 5% do total dos casos.

   Na literatura especializada encontramos poucos artigos sobre o diagnóstico diferencial, tratamento interceptador e biomecânica. Esses trabalhos, geralmente, não mostram fotografias das fases mecânicas, apenas o antes e depois, e uma descrição sumária dos dispositivos e arcos empregados nas correções (figura).

   RICKETTS1-3 relata que em sua experiência clínica com os primeiros 1000 pacientes tratados, somente 1,6% eram portadores de classe III. É por essa razão que não encontramos em seus artigos ou livros matéria a respeito nem, tampouco, as seqüências mecânicas para tratá-las, com exceção do exemplo da figura e das indicações para o tratamento preventivo e interceptador, a partir dos 6 anos de idade.

FIG. 13.1 – A - A classe III pode ser tratada com arcos seccionados de forma reversa em relação a uma classe II. B - O cruzamento vestibular é melhor tratado com a intrusão pelos elásticos entrecruzados. Note que os elásticos deprimem ou intruem os molares.

 

    As seqüências biomecânicas seccionadas que estamos propondo fazem parte do Bio-System que criamos com a montagem III e são o resultado da experiência clínica de 3 décadas no tratamento de todos os tipos de classe III.    

Procuramos criar uma biomecânica tanto para o tratamento das classes III dentárias, quanto para o preparo pré-cirúrgico dos portadores de prognatismo verdadeiro mandibular que serão submetidos a uma cirurgia ortognática.

     O Bio-system III possui ganchos nos caninos e pré-molares superiores e nos caninos e incisivos laterais inferiores para a aplicação de elásticos de classe III triangulares, duplos e pesados de 3/16”, ao invés dos clássicos apoiados nos molares superiores e caninos inferiores.

     YAMAGUCHI4  indica esse tipo de aplicação dos elásticos de classe III para evitar a extrusão dos molares superiores de apoio. (fig. 13.1)

     Para os casos cirúrgicos são indicados brackets com ganchos em todos os pré-molares para a colocação dos dispositivos e elásticos de fixação pré e pós-cirúrgica.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE

     As maloclusões da classe III de Angle se caracterizam por uma relação sagital entre os arcos dentários, na qual a arcada dentária inferior oclui mesialmente à superior. Não é raro o paciente apresentem algum grau de comprometimento também no sentido transversal.

    Essa anomalia afeta o aspecto estético, funcional e psicossocial do paciente, por seu efeito altamente deformante, o que nos permite reconhecê-la como uma verdadeira síndrome.

   As classes III dentárias podem também refletir uma relação esquelética de classe III. O diagnóstico preciso é fundamental para avaliar que tipo de terapêutica é a mais indicada.

   O tratamento deve ser iniciado tão logo seja diagnosticada a má oclusão independentemente do tipo de classe III, para prevenir que o problema se torne mais severo e, ocasionalmente, evitar ou reduzir a necessidade de cirurgia ortognática.

 

 FIG. 13.2 – A – Representação gráfica de uma classe III chamada verdadeira, esquelética ou cirúrgica. B – Desenho clássico de uma classe III dentária. Uma comparação entre as duas figuras leva à conclusão de que são necessários dados mais seguros para um diagnóstico diferencial correto.

    De acordo com MONTI5, a utilização de forças ortopédicas extrabucais para a correção das más oclusões das classes III foi indicada por Cellier, em 1802, que usava um dispositivo semelhante à mentoneira atual. As mentoneiras são usadas como um dos dispositivos ortopédicos para tratamento das más oclusões classe III.

    LEVI et al.6  mencionaram Farrar, Kingsley, Angle e Case, como percusores do uso de forças extrabucais do tipo mentoneira para a correção das maloclusões de classe III.

    RICKETTS7 utilizou laminografias de ATM, considerou a mandíbula como um osso instável e que mudanças poderiam ser provocadas de forma experimental na articulação temporomandibular pela utilização de forças ortopédicas. Mas, a questão do local exato de crescimento e remodelação ainda causava muita controvérsia.

    MOLLIN8 introduziu o arco facial basculante inferior, cujo arco interno se encaixava nos últimos molares inferiores, com a força aplicada sobre esses dentes.

    DELAIRE2 utilizou o aparelho extra-oral com tração reversa, comumente denominado de Máscara de Delaire. Porém, este dispositivo só veio a se tornar mundialmente difundido através de PETIT9, que modificou alguns conceitos básicos da máscara original.

    De acordo com TURLEY10, as classes III de Angle apresentam, em sua maioria, retrusão da maxila, o que justificaria o tratamento ortopédico na face média. Indica, inicialmente, a expansão rápida da maxila, seguida pelo uso imediato de um aparelho de protração da maxila com 150 a 200 gramas , aumentando gradativamente até 400 a 600 gramas , 24 horas por dia, de 2 a 6 meses. A protração é mantida em torno de 6 meses como contenção.

    BENVENGA11-12 afirmou que o tratamento precoce das maloclusões de classe III de Angle sempre foi um tema muito controvertido mas, à luz dos conhecimentos da previsão arqueal de crescimento facial e dos fatores de alarme das classes III cirúrgicas, deve-se iniciar o tratamento, para todos os pacientes, visando projetar a maxila para a frente, a fim de que se possa corrigir de modo rápido o overjet e overbite invertidos. Em crianças em torno de 8 anos de idade, o tratamento consiste em aplicar um quad helix para o descruzamento e a expansão do arco dentário superior, seguido do uso de uma máscara facial do tipo Delaire, para aproveitar a disjunção conseguida nesses pacientes, nos quais as suturas estão abertas e permitem uma grande movimentação anterior das estruturas ósseas.

 

DIAGNÓSTICO

   A classe III esquelética, quando apresentar uma discrepância entre o crescimento da maxila e mandíbula, pode resultar de uma:

1.Maxila bem posicionada em relação à base do crânio com uma protrusão mandibular.

2.Retrusão maxilar e mandíbula bem posicionada.

3.Combinação de retrusão maxilar e protrusão mandibular.

 

    ELLIS e McNAMARA13 afirmaram que as maloclusões de classe III se devem à associação de fatores dentários e esqueléticos. Na amostra pesquisada, as classes III se distribuíram da seguinte forma:

a)      prognatismo mandibular 19,2%;

b)      retrognatismo maxilar 19,5%;

c)      retrognatismo maxilar e prognatismo mandibular 30,1%.

    LANGLADE14 afirmou que, no crescimento normal da face, a quantidade de crescimento da base anterior do crânio é praticamente igual à do corpo da mandíbula. Já nas maloclusões de classes III cirúrgicas há um hipodesenvolvimento da base anterior do crânio, acompanhado de crescimento mandibular exagerado (Fig. 13.3).

 

 FIG. 13.3 - Crescimento diferencial das classes III ortodônticas e das classes III cirúrgicas: nos dois casos há um hipodesenvolvimento da base do crânio com um crescimento mandibular ao longo do eixo facial, que pode ser, normal (caso ortodôntico) ou anormal (caso cirúrgico).

 FIG. 13.4 - No crescimento normal a quantidade de crescimento da base do crânio é, praticamente, equivalente à do corpo mandibular. Na síndrome da classe III cirúrgica há um hipodesenvolvimento da base craniana, com um crescimento mandibular exagerado.

   

FIG. 13.5 - Medidas cefalométricas usadas na avaliação do crescimento das maloclusões da classe III de Angle, segundo Schulhof.

 

    A Figura 13.6 mostra a ficha para o diagnóstico da síndrome da classe III cirúrgica com os 15 fatores que a definem.

    O diagnóstico deve ser feito a partir da anamnese, exame clínico facial e intra-oral, modelos de estudo e com uma Cefalometria que tenha aplicação clínica comprovada e realmente defina as necessidades terapêuticas do paciente.

    A análise cefalométrica de Ricketts é bastante exata para definir se a classe III é dentária, esquelética ou a combinação de ambas.

    A posição da maxila e da mandíbula no espaço são avaliadas em relação aos planos de referência Ba-Na e Frankfurt. A relação própria entre a maxila e a mandíbula é avaliada a partir da posição do ponto A em relação ao Plano Facial. Leva-se em consideração, também, o tamanho da base anterior do crânio, o tamanho do corpo mandibular, e a deflexão craniana, que é a relação angular de Ba-Na com Frankfurt, definindo-se, a partir daí, qual a terapêutica mais indicada a cada caso a ser tratado.

 FIG. 13.6 – Ficha clínica dos 15 fatores que definem a Síndrome da Classe III Cirúrgica   para a raça branca.

 

 FIG. 13.7 – Ficha clínica dos 15 fatores que definem a Síndrome da Classe III Cirúrgica   para a raça amarela.

 

 FIG. 13.8 – Ficha clínica dos 15 fatores que definem a Síndrome da Classe III Cirúrgica   para a raça negra.

 

TRATAMENTO

   As maloclusões esqueléticas classe III são difíceis de tratar somente por meios ortodônticos intra-orais. Em vista desse problema, forças extra-orais de tração reversa têm sido indicadas desde as fases de dentição decídua e mista, visando a evitar ou facilitar, na idade adulta, um procedimento cirúrgico para a correção de uma displasia tão grave.

    FURQUIM et. al.16 afirmaram que quando é diagnosticado o prognatismo mandibular, a terapêutica indicada por autores como Mitani, Sakamoto, Sugawara, Deguchi e McNamara, é a utilização de mentoneira com a intenção de intervir no crescimento mandibular, mesmo sabendo das limitações dessa terapêutica.

   FURQUIM et. al.16 avaliaram, também, que mesmo que o diagnóstico e plano de tratamento sejam realizados corretamente, o prognóstico dependerá de fatores como:

-          idade do paciente;

-          colaboração do paciente;

-          magnitude da maloclusão;

-          comportamento vertical das bases apicais;

-          presença de compensações dentárias;

-          bases ósseas envolvidas;

-          mecânica utilizada.

    O aparelho de ancoragem extra-oral cérvico-occipital com arco facial basculante inferior de ação reversa de BAPTISTA17 é um dispositivo inspirado no arco facial articulado inferior de MOLLIN8. Na sua versão atual, a união do arco intra-oral com o arco externo é feita através de uma dobradiça, liberando os movimentos mandibulares. Na parte anterior do arco externo foi adaptada uma haste horizontal com ganchos, onde são aplicados os elásticos para a tração reversa. Esta haste horizontal permite variação de altura e, conseqüentemente, da direção da força aplicada.

    A ancoragem é feita com o casquete cérvico-occipital de Interlandi, que permite varias opções da linha de ação da força. A colocação do arco interno é feita no tubo de 0.45” , soldado na banda do primeiro molar inferior.

    O ponto de aplicação da força da maxila varia conforme a necessidade do caso:

·         Tração da arcada superior como um todo: elásticos adaptados ao nível dos primeiros molares superiores com arco contínuo ou

          em outro dispositivo intra-oral como, por exemplo, à barra palatina ou o quadrihélice.

·         Tração do segmento anterior (incisivos): arco utilidade e aplicação dos elásticos por distal dos laterais.

    O sistema de força é representado por elásticos, com os níveis preconizados pela Terapia Bioprogressiva, ou seja, 100 a 150 gramas por centímetro quadrado de área radicular exposta à pressão. Porém, ao nível do apoio cérvico-occipital, pode-se aplicar forças mais intensas, com o propósito de buscar modificações ortopédicas.

 

FIG. 13.9 – O aparelho extra-oral basculante inferior de ação reversa criado por Baptista.

 

   As maloclusões da classe III podem se apresentar com inúmeras variações dentoesqueléticas. Feito o seu reconhecimento e analisando o seu grau de gravidade, o ortodontista deverá iniciar o tratamento adequado para a correção de suas características anormais, baseando seu diagnóstico na anamnese, na avaliação facial e em uma análise cefalometrica segura e completa.

   O tratamento precoce do prognatismo mandibular não altera o fator genético de desenvolvimento mandibular. Os tratamentos preventivo e interceptador  não significam, necessariamente, tratamentos prolongados, nem antes do tempo devido. É, antes de tudo, uma forma eficiente de intervenção, buscando o equilíbrio do desenvolvimento, pois, como bem coloca RICKETTS18 : “Se não forem tratadas, as maloclusões da classe III se alimentarão de si próprias”.

   Normalmente, um tratamento ortodôntico e ortopédico é indicado para que se possa diminuir as chances de intervenção cirúrgica. A intervenção a partir dos 6 - 7 anos de idade faz com que a discrepância não se desenvolva em todo o seu potencial. É importante considerar, em cada caso, as relações verticais e ântero-posteriores com o padrão facial, para aplicar adequadamente a magnitude da força necessária na área afetada e, assim, modificar de forma permanente as estruturas basais, com o propósito de devolver o equilíbrio facial ao paciente.

   Mesmo que este tipo de tratamento leve a uma biprotrusão óssea, esteticamente teremos um perfil aceitável para esta tipologia de classe III com crescimento anormal e, dessa forma, evitaremos, em um grande número de casos, a intervenção cirúrgica mais complexa, podendo se necessário para melhorar a estética facial do paciente somente uma genioplastia.

   O aparelho proposto por Baptista mostrou-se efetivo e a paciente colaborou, aceitando o seu uso devido às semelhanças com o aparelho extra-oral tradicional e ao nível de força aplicada, que, praticamente, não causa grandes desconfortos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

1.RICKETTS, R. M.: On Growth Predicton. S. Clin. Orthod. Interviews. 9: 420 – 434, July, 1975.

2.DELAIRE, J. L`articulation Fronto-maxilare. Bases Théoriques et Principes Généraux D`aplication des Forces Extra-orales Postéro-antérieures sur Masque Orthopédique. Revue Stomatol., Paris, v. 77, n° 7, p. 921-930, 1976.

3.RICKETTS, R. M.: On Early Treatment, Part 1,2 and 3. J. Clin. Orthodont. 13: 23 – 38, 115 –127, 181 – 199, January, February, March, 1979.

4.YAMAGUCHI, T.: Non-Extraction Treatment of Skeletal Class III. Trabalho apresentado no FOR Meeting – Foundation for Orthodontic Research, Anaheim Hilton Hotel, Ca. U.S.A, May, 1719, 1989.

5.MONTI, A. D.: Técnica Ortodóncica de Mollin. 1. ed. Argentina: Mundi, 1968.

6.LEVI, J. A. A.: et al. Orthopedic Effect of the Extraoral Chin Cup Appliance on the Mandibule. Am. J. Orthod., St. Louis , V. 69, p. 29-42, Jan. 1976.

7.RICKETTS, R. M.: Orthodontic Diagnosis and Planning. Volume 1 and 2. Rocky Mountain Orthodontics, 1982.

8.MOLLIN, A. D.: Universal Light Arch Techinique for Treatment of Maloclusion. New York : Bruder, 1966.

9.PETIT, H. P.: Syndromes Prognathiques: Squemas de Traitement ‘global’. Rev. Orthop Dento Faciale, Paris, V. 16, p. 381-411, Oct. 1982.

10.  TURLEY, P. K. Orthopedic Correction of Class III Maloclusion with Palatal Expansion and Protraction Headgear. J. Clin. Orthod., Boulder, v. 22, n° 5, p. 314 325, 1988.

11.  BENVENGA, M. N.: Apresentação de um Caso Clínico de Classe III tratado com a mecânica edgewise. Ortodontia – SPO. São Paulo. V. 12 n° 3, setembro – dezembro, 1979.

12.  BENVENGA, M. N.: Diagnóstico diferencial y tratamiento Ortodóncico-quirúrgico de las maloclusiones de la clase III de Angle. Rev Soc Argent Ortodoncia, Argentina, v. 58, n°. 115, p. 5-35, enero/jun. 1994.

13.  ELLIS, E.; McNAMARA Jr., J. A. Components of Adult Class III Maloclusion. J. Oral Maxillofac Surg, Philadelphia, v. 42, n° 5, p. 295-305, May 1984.

 14.  LANGLADE, M.: Diagnóstico Ortodôntico. 1a ed. São Paulo: Ed. Santos, 1993. Tradução  M. N. Benvenga.

15.  SCHULHOF, R. J. et al.: Predicction of Abnormal Growth in Class III Maloclusion. Am. J. Orthod., St. Louis, v. 71, p. 21-430, Apr. 1977.

16.  FURQUIM, L. Z.: SANT`ANNA, E.; IWAKI, L. F. Tratamento Ortodôntico Cirúrgico de um caso de Classe III esquelética, agravado pela ausência total dos dentes superiores. R. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 1, n° 1, p. 23-36, fev./mar. 2002.

17.  BAPTISTA, J. M.: Aparelho de Ancoragem Extrabucal Cérvico-occiptal com arco facial basculante inferior de ação reversa. Revista de Ortodontia Paranaense, Curitiba, n° 2, p. 105-113, jul./dez. 1986.

18.  RICKETTS, R. M.: Curso ditado no VII Congresso Brasileiro de Ortodontia da S.P.O., São Paulo-SP. Brasil, 1989.

 

BIOMECÂNICA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE

 

 FIG. 13.10 – Montagens de brackets e tubos do Bio-System Benvenga III para tratamento das maloclusões das classes III de Angle dentárias e para preparo cirúrgico.

 

PROPOSTAS PARA QUATRO TIPOS DE BIOMECÂNICA SECCIONADA NO TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE

 

 

 

 1 – Classe III, sem extração com bandas nos 16 26 46 36 e pinos nos 14 13 23 24 43 42 33 34 e tubo duplo ou tubo triplo no 1º molar inferior. O tubo triplo será usado nos casos tratados com ancoragem reversa do Dr. Baptista.

   

 

 2 – Classe III, sem extração com bandas nos 17 16 26 27 47 46 36 37, pinos 14 13 23 24 43 42 33 34 e tubo duplo no 1º molar inferior e tubo triplo no 2º molar inferior. O tubo triplo será usado nos casos tratados com ancoragem reversa do Dr. Baptista.

          

   

 3 – Classe III, com extração dos 15 25 14 24 com bandas nos 16 26 46 36 e pinos nos 14 13 23 24 43 42 33 34.

                  

                     

 4 – Classe III, com extração dos 44 34 com bandas nos 16 26 46 36 e pinos nos 43 34 32 23.       

                                                                                

SEQÜÊNCIA DA BIOMECÂNICA SECCIONADA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE, SEM EXTRAÇÃO.

MONTAGEM ATÉ OS 1os MOLARES.

 

 

 FIG. 13.11 – A mecânica bioprogressiva atual não usa mais os arcos seccionados para nivelar e alinhar os segmentos posteriores. Os arcos contínuos tipo overlay e piggyback são seus substitutos com vantagem porque têm maior elasticidade. Esta figura mostra um arco overlay colocado por baixo do arco utilidade superior de expansão de .016” redondo trançado. Os elásticos de classe III 5/16” são aplicados desde o início da movimentação ortodôntica.

 

 FIG. 13.12 – A indicação do uso da ancoragem extra-oral reversa do Dr. Baptista pode ser feita para todos os casos de classe III com montagem até os 1ºs molares.

 

 

FIG. 13.13 – Depois da fase de nivelamento são colocados arcos contínuos com alças de contração em T ou arcos ideais .016” x .016” Elgiloy azul, mais elásticos de classe III 5/16”, na fase de finalização da correção.

 

 FIG. 13.14 – Correção concluída com finalização de sobrecorreção.

        

SEQÜÊNCIA DA BIOMECÂNICA SECCIONADA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE, COM EXTRAÇÃO.

MONTAGEM ATÉ OS 1os MOLARES.

 

 FIG. 13.15 – Classe III tratada com extração dos 2ºs pré-molares superiores e  dos 1ºs pré-molares inferiores. Todos os arcos são de Elgiloy azul .016” x .016” . Notar que é uma mecânica quase igual a um caso de classe I tratado com extrações.

 

 FIG. 13.16 – Depois do fechamento dos espaços de extração superiores e da retração dos caninos inferiores, é feita a retração dos incisivos. Todos os arcos são de .016” x .016” Elgiloy azul.

 FIG. 13.17 –  Arcos ideais coordenados e aplicação de elásticos de classe III duplos 5/16” para conseguir a sobrecorreção.

   

SEQÜÊNCIA DA BIOMECÂNICA SECCIONADA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE, SEM EXTRAÇÕES.

MONTAGEM ATÉ OS 1OS MOLARES.

 

FIG. 13.18 –  A – Um arco utilidade superior de expansão com 3 alças pode ser usado no início da movimentação ou em conjunto com um arco utilidade inferior provido de alças para a colocação de elásticos de classe III 5/16”. B – Os pré-molares e caninos não recebem brackets nesta fase e é possível iniciar a mecânica de classe III colocando-se um arco utilidade inferior com uma dobra especial para à aplicação dos elásticos.

 

 FIG. 13.19 – Na fase seguinte, é colocado um arco utilidade de expansão superior, um arco utilidade inferior e arcos seccionais superiores e inferiores, mais elásticos de classe III 5/16”.

 

 FIG. 13.20 - A modificação importante é a aplicação de elásticos de classe III 3/16” triangulares e duplos entre os 1os pré-molares e caninos superiores e os caninos e incisivos laterais inferiores, para evitar a extrusão dos 1os molares superiores com a colocação clássica.

 

 SEQÜÊNCIA DA BIOMECÂNICA SECCIONADA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE, COM EXTRAÇÃO DOS 1ºs PRÉ-MOLARES INFERIORES - OU DOS 2ºs PRÉ-MOLARES SUPERIORES - OU DOS 1ºs  PRÉ-MOLARES INFERIORES.

MONTAGEM ATÉ OS 2ºs MOLARES.

 FIG. 13.21 – A montagem dos aparelhos até os 2os molares é indicada quando esses dentes estão cruzados ou girados. No preparo ortodôntico dos casos cirúrgicos, também incluímos os 2os molares. Este exemplo é de uma classe III tratada com extração dos 1os pré-molares inferiores, com a colocação dos elásticos de classe III no início da retração dos caninos inferiores. A figura B mostra um sistema piggyback – arco utilidade de .016” x .016” e um arco redondo trançado de .018” por cima que é a mecânica usada atualmente.

 

 FIG. 13.22 – A – Os caninos inferiores retraídos e iniciada a retração dos incisivos inferiores. B – Etapa intermediária da retração incisal inferior. Notar que foram retirados os elásticos de classe III.

 

 FIG. 13.23 – Um exemplo de montagem dos aparelhos até os 2os molares, com extrações dos 2os molares superiores e dos 1os pré-molares inferiores. E um caso de classe III parecido ao tratamento de uma classe I com apinhamento.

 

 

FIG. 13.24 – A indicação do uso da ancoragem extra-oral reversa do Dr. Baptista pode ser feita para os casos de classe III com montagem até os 2os molares.

 

SEQÜÊNCIA DA BIOMECÂNICA SECCIONADA PARA TRATAMENTO DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE, SEM EXTRAÇÕES.

MONTAGEM ATÉ OS 2OS MOLARES.

 

 FIG. 13.25 - A – Este caso pode ser iniciado na arcada superior com um arco utilidade de expansão com 4 alças de ativação. B – A figura mostra as alternativas de uso de um arco utilidade de expansão com 2 helicoidais ou 4 alças de ativação na arcada superior. Na arcada inferior temos um arco utilidade e seccionais de estabilização.

 

 FIG. 13.26 – A – Arcos contínuos de .016” x .016” com alças L + elásticos verticais para corrigir uma classe III com mordida aberta é outra variável mecânica. B – Arcos utilidade superior e inferior numa alternativa de montagem da arcada superior em overlay e da inferior em piggyback.

  

 

FIG. 13.27 – Depois do fechamento da mordida, são aplicados elásticos de classe III anteriores triangulares, pesados e duplos de 3/16” nos 1os pré-molares e caninos superiores e caninos e incisivos laterais inferiores, para conseguir a sobrecorreção do caso e evitar a extrusão dos molares de apoio na aplicação clássica. B – caso concluído com os arcos ideais de .016” x .016” Elgiloy azul coordenados.

 

TRATAMENTO INTERCEPTADOR DAS MALOCLUSÕES DA CLASSE III DE ANGLE NA DENTIÇÃO MISTA.

 

     

FIG. 13.28 – O tratamento interceptador para as classes III na dentição mista consiste na colocação de um aparelho quad-helix e elásticos  pesados entre as alças helicoidais distais e a ancoragem extra-oral reversa do Dr. Baptista ou na mascara facial.

 

 

 FIG. 13.29  – Em pacientes portadores de classe III com uma importante mordida cruzada posterior, há necessidade de tratá-los, num primeiro estágio, com um dispositivo disjuntor

palatino. Estes casos geralmente são as típicas classes III cujo tratamento é iniciado no final da dentição mista ou na dentição permanente.

geralmente são as típicas classes III cujo tratamento é iniciado quase ao final da dentição mista.

 

 

CASO CLÍNICO – A. C. B. P. – CLASE III – SEM EXTRAÇÕES NA DENTIÇÃO MISTA

 

 

 Este caso foi tratado pela aluna do Curso de Especialização em Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade São Francisco, Bragança Paulista – SP., a Dra. Andrea Chaves.

 

 

 


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