A TERAPIA BIOPROGRESSIVA NA ATUALIDADE


MIGUEL NEIL BENVENGA


INTRODUÇÃO


    A Terapia Bioprogressiva começou a ser definida por RICKETTS
1 há cerca de 50 anos e, como a Odontologia nesse importante período pós-Segunda Guerra Mundial, teve uma sólida evolução e não cessou de se aprimorar como uma inovadora doutrina de diagnóstico e mecânica ortodôndica, com seguras bases na biologia dos pacientes.

    Na Ortodontia, como nas demais especialidade odontológicas, as técnicas sofrem mudanças constantes, mas seus princípios permanecem.

    Os mais importantes fatores que determinaram a evolução do Método Bioprogressivo foram a Cefalometria criada por RICKETTS2, com grande quantidade de pesquisas e normas que culminaram na teoria de crescimento e desenvolvimento facial de curto e longo prazos, no tratamento precoce das maloclusões dentárias - prevenção e interceptação - conseqüência direta do surgimento do VTO - objetivo visual do tratamento, na mecânica inovadora com arcos seccionados, na colagem dos aparelhos ortodônticos, o que tornou todas as técnicas existentes mais fáceis de serem aplicadas e, com custos mais baixos, fator importantíssimo na diminuição dos elevados percentuais extracionistas do método edgewise tradicional.

    Por fim, as transformações que o diagnóstico biointegrado, o VTO e o tratamento precoce provocaram no uso dos diversos tipos de ancoragem extra-oral.


O IMPACTO DA CEFALOMETRIA


    A Cefalometria foi criada a partir dos trabalhos pioneiros de BROADBENT
3, e HOFRATH4, em 1931, e permaneceu por muito tempo apenas como um instrumento de pesquisa de crescimento facial. 

    Sua aceitação e emprego clínico somente ganharam impulso com o aparecimento da análise cefalométrica de Downs, em 1948, que provocou uma forte tendência para o seu uso clínico e conquistou a adesão de líderes e ortodontistas clínicos que passaram a considerá-la um valioso auxiliar do diagnóstico. Nos 15 anos subseqüêntes, a Cefalometria expandiu-se, o crescimento facial passou a ser considerado como um importante adjunto do tratamento e a determinação da tipologia facial dos pacientes tornou-se conceito clínico indispensável.

    As pesquisas com grande amostragem feitas no computador levaram a uma posição nunca antes alcançada de informações cefalométricas, e possibilitaram novas descobertas e novas análises sobre o crescimento facial, modificando radicalmente o diagnóstico ortodôntico. E, podemos afirmar que, atualmente, o ortodontista que não usa a Cefalometria em seu trabalho diário, é como um piloto que conduz um avião sem bússola, sem rádio, sem radar e, sem plano de vôo, numa noite de tempestade magnética. O resultado dessa "viagem" é fácil de se imaginar . . .

    O VTO/VTG é um instrumento lógico que direciona e simplifica a mecânica de tratamento e, com precisão, aponta a direção geral do crescimento facial, bem como de seu exato montante. Não é um método com rigor matemático, pois se trata de biologia. Mas, sua utilidade como um guia geral seguro do tratamento ortodôntico, ainda não encontrou similar na especialidade5.

    O que os ortodontistas precisam entender e aceitar é que o desenvolvimento lógico do VTO/VTG pode ser empregado para qualquer método ou técnica de tratamento e não somente para a Terapia Bioprogressiva.


A MECÃNICA BIOPROGRESSIVA


    A Terapia Bioprogressiva combina a mecânica edgewise com os princípios do diagnóstico biointegrado apoiado num sistema inovador de mecânica com arcos seccionados.

    Essa mecânica simplificou-se nos últimos anos com o surgimento de fios com novas composições, mais flexiveis e de ação prolongada, o que se traduziu em arcos com menos alças complexas e menos desconforto para os pacientes.

    Como exemplos, citamos as montagens com arcos utilidade em overlay e piggyback.6-7

    A característica principal da mecânica é sua flexibilidade, não obstante a manunteção intacta dos princípios e sem correr riscos de perda de ancoragem ou movimentação dentária indesejada nos casos mais difíceis. As técnicas straghtwire apareceram quase simultaneamente com a Terapia Bioprogressiva, e têm grande apelo, principalmente, para os iniciantes na especialidade. Porém, essas técnicas não solucionaram as limitações que possuem por usarem arcos contínuos. Isso, porque uma maloclusão continua travada, mesmo quando tratada com bracketts pré-ajustados.8-9

    Ricketts publicou, a partir de 1989, uma série de trabalhos que se constituem numa verdadeira revisão e atualização da Terapia Bioprogressiva. Aqueles que tiverem interesse em colocar em dia seus conhecimentos podem consultar a bibliografia citada.

    Os capítulos apresentados em seguida são, os mais importantes geradores das mudanças e transformações pela quais passou a Terapia Bioprogressiva, e que continuam influenciando a especialidade como um todo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

1. RICKETTS, R.M.: Provocations and Perceptions in Cranio-Facial Orthopedics, Rocky Mountain Orthod Inc, 1989.

2. RICKETTS, R.M.: Progressive Cephalometrics - Paradigm 2000. Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1995.

3. BROADBENT, B.H.: A New X-ray technique and its application to Orthodontia, Angle Orthod, 1:45-60, April, 1931. 

4. HOFRATH, H.: Die Biedeutung der Roentgenfern und Abstandsaufnahme für die Diagnostik der Kieferanomalien. Fortschr Orthodont, 1:232-48, 1931. 

5. RICKETTS, R.M.: Understanding the VTO - Its Construction and Mechanics for Execution. Vol.1 Diagnosis and Planning. Volumes 1, 2 e 3 - Mechanics, Am 

    Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1998.

6. RICKETTS, R.M.: The Wisdom of Sectional Mechanics. Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1997.

7. RICKETTS, R.M.: The Logic and Keys to Bioprogressive Philosophy and Treatment Mechanics. Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1998.

8. RICKETTS, R.M.: Concepts of Mechanics and Bio-Mechanics. Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, AZ, 1997.

9. RICKETTS, R.M.: Differences Between Straight Wire Techniques and Bioprogressive Philosophy. Am Inst for Biopro Educ, Scottsdale, 1996.


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